quinta-feira, 21 de agosto de 2008

'Do Quarto pro Jardim'


Das cinzas que nunca somem,

o pó. Tudo se desfaz,

se reproduz

e voa.

Tudo que voa

e chega

e some

e continua

cinza:

preto com branco,

retorna

se une

renasce.

Vem.

Ser de novo um novo ser,

enquanto a vida

brota e rebota o mundo.

(As árvores e as flores

recomeçam tudo)

Abram todas as portas, as janelas do quarto,

que trazemos mãos cheias de sementes.

Cada passo, palavra ou canção

é um presente dos dias

que cai na terra a cada instante.

― Vai caminhante, antes do dia nascer.

Pode-se ouvir a voz de uma menina cantando

em torno do sol.

Brincando de roda

no jardim das horas,

onde dançam os séculos

em ciranda como crianças descalças

sobre o chão perpétuo.




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